8 de março – Dia Internacional da Mulher

No dia 08 de março é comemorado o dia Internacional da Mulher, uma data que nos leva às origens da luta travada por mulheres operárias por melhores condições de trabalho e vida e que lembra a luta que devemos continuar travando por melhorias e direitos para as mulheres nos dias atuais.

A origem do dia internacional da mulher evoca muitas datas e movimentos diferentes: a grande passeata de mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York, dia em que 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho; os protestos pelo direito de votar nos estados Unidos iniciados por mulheres em 1913; e o 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo (08 de março pelo calendário gregoriano), dia em que um grupo de operárias russas foi às ruas para manifestação contra a fome e contra a Primeira Guerra Mundial, dando início à revolução russa.

Em 1975 a Organização das Nações Unidas oficializou o dia internacional da mulher para lembrar as conquistas políticas e sociais no campo de direitos das mulheres, mas devemos permanecer lembrando problemas que não foram solucionados e que adoecem mulheres pelo mundo:
a desigualdade de gênero, violência física, patrimonial, psicológica, moral e sexual, feminicídio, aborto ilegal, diferença salarial, dupla e tripla jornadas de trabalho.

Dados de um levantamento do Datafolha feito em fevereiro de 2019 encomendado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostraram que 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil, enquanto 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio.

Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Após sofrer uma violência, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda. Mulheres pretas e pardas são mais vitimadas do que as brancas; as jovens, mais do que as mais velhas.

O cenário de vulnerabilidade é ainda maior para mulheres trans e travestis, e no Brasil, agrava-se com o desmonte de políticas públicas voltadas para a garantia de direitos da população LGBT+, quem vem ocorrendo desde o início de 2019.

Poderíamos citar inúmeros outros dados que mostram o quanto temos que estar atentas, fortes e articuladas na construção de uma sociedade pautada na equidade de gênero e no enfrentamento a barreiras que dificultam a consolidação de direitos reprodutivos e o fim da violência de gênero.

Nesse dia 08 de março a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, núcleo Ceará, comemora o caminho de conquistas de direitos femininos traçado até aqui e reforça a importância da luta pela manutenção e garantia dos direito fundamentais das mulheres: direito à vida, à segurança e liberdade pessoal, à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação, à liberdade de pensamento, à informação e a educação, à privacidade, à saúde e sua proteção, a construir ou não relacionamento conjugal e planejar sua família, a escolher ter ou não ter filhos e quando tê-los, aos benefícios do progresso científico, à liberdade de reunião e participação política, a não ser submetida a maus-tratos e tortura.

Dia 08 de março também é dia de lembrar a crise sanitária pela qual estamos passando e as questões de gênero que permeiam esse momento. Dentre os efeitos imediatos dessa pandemia destaca-se a acentuação das desigualdades de gênero e a piora da qualidade de vida das mulheres. 21.Além disso, merece visibilidade a predominância das mulheres, 78,9% entre médicas, profissionais da enfermagem e agentes comunitárias, na força de trabalho da saúde brasileira e, por conseguinte, na linha de frente do combate à Covid-19.

Assim, a luta no dia 08 de março também é contra os fatores que prolongam a pandemia, é contra o negacionismo, é a favor de vacinação ampla e com rapidez, é a favor da ciência e do SUS, do isolamento social e auxílio emergencial.

Assista ao vídeo no nosso canal do YouTube: https://youtu.be/tpVctX01eQI

Texto: Núcleo Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares – Ceará

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